Para os que não são familiarizados com o conceito de “vidas passadas”, aconselho a ler o livro de um psicanalista canadense, chamado Joel Whitton, publicado no Brasil pela Ed. Pensamento, com o título de “Vida Transição Vida”. Atualmente aliás, ele não é o único psicanalista a adotar a terapia de regressão às vidas passadas.
Se essas novas e revolucionárias técnicas – típicas da Era de Aquário - são ou não contestadas pelos terapeutas tradicionais, não cabe aqui a discussão. O fato é que elas têm ajudado milhares de pessoas, em todo o mundo, a se livrar de suas fobias, angústias, relacionamentos difíceis e uma série de sofrimentos desnecessários. Isto, por si só, já atinge o objetivo que é exatamente minimizar a permanente sensação de infelicidade, improdutividade e desintegração que acompanha muita gente, na atual existência. Com a vantagem adicional de ser um tratamento muito mais rápido.
A astrologia deve detectar, no mapa, essas áreas a serem trabalhadas, trazer ao cliente uma luz sobre a provável causa dos sentimentos desagradáveis que o assaltam e encaminhá-lo para uma terapia adequada. Não é função da astrologia – a não ser que o astrólogo tenha também uma formação terapêutica - tratar esse tipo de cliente. Este é um alerta que faz parte da ética da astrologia cármica e deve estar sempre presente, em nome da boa imagem do profissional.
Durante uma palestra realizada só para estudantes de misticismo, me perguntaram se não havia risco de um cliente piorar ao descobrir o tipo de comportamento adotado em vidas anteriores. Respondi que, em mil mapas interpretados à luz desse conceito, nunca tinha visto alguém sair pior do que entrou. Creio que há bons motivos para isso: em geral, a pessoa vem em busca de horizontes mais amplos que talvez possam responder a questões até ali, não respondidas. Vem igualmente, com muita esperança de adquirir algum conhecimento novo que alivie sua angústia, porque normalmente já tentou quase tudo. Em outras palavras: ela chega preparada para ouvir qualquer coisa que faça algum sentindo. E o melhor: quase sempre faz.
Conscientizar o cliente de algumas causas importantes, tem o milagroso poder de minimizar os efeitos. Principalmente, se a busca por uma melhor qualidade de vida for honesta. Na maioria das vezes o cliente sai pensando naquilo, depois, fecha alguns links dentro de si e por último, retorna à vida com muito mais confiança para enfrentar os obstáculos, sem aquele terrível sentimento de auto-piedade.
A palavra KARMA – que eu prefiro escrever com C inicial – de um modo geral traz um certo desconforto à pessoa pouco familiarizada com as antigas filosofias orientais, porque é quase sempre interpretada como um CASTIGO DIVINO. Se parece um castigo, e ela já se sente tão castigada pela própria vida, é natural que rejeite toda e qualquer referência ao assunto. Tenho visto, com freqüência maior do que gostaria, até um certo pânico à simples menção da palavra que, em última análise, nada mais significa que um nome para designar uma lei da natureza – ou da física como preferem alguns – de ação e reação: “à toda ação corresponde uma reação igual e contrária”. Basta uma passagem pelo segundo grau escolar para se conhecer bem esta lei. É interessante observar que, por se tratar de uma lei da natureza, o aluno a assimile apenas como algo externo a si, como se ele mesmo não fosse parte integrante desta natureza. E ao adotar esta atitude artificial, perde a oportunidade de fazê-la agir em seu próprio benefício.
A astrologia cármica, através de seus infinitos símbolos – tão infinitos quanto o próprio universo mas, ainda assim, apenas símbolos – com sua linguagem extremamente sintética, pode ajudar a pessoa a equilibrar essa lei, a partir da compreensão de seu funcionamento. E só então se sentir entrando lenta e progressivamente em harmonia consigo própria e com o universo a que pertence, onde tudo e todos se originam e se interrelacionam, num movimento sincrônico perfeito. O mapa cármico astrológico individual não é outra coisa senão a representação gráfica desse movimento, com seus pontos já equilibrados e outros ainda por equilibrar.
