quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Quem tem medo de Plutão?

Temos mesmo que ter medo de Plutão?
A resposta a esta pergunta é tão complexa quanto à própria energia que o planeta emite nos nossos mapas.
Vamos entender um pouquinho dessa energia: Plutão é um planeta de extremos. Ou está para um lado ou está para o outro. Nunca em cima do muro. Tudo com ele é radical. Quando está apaixonado, está muito apaixonado. Quando não está, se torna absolutamente indiferente. Quando quer terminar um relacionamento, cuida de matar dentro dele qualquer tipo de sentimento ainda existente e depois, simplesmente descarta a pessoa como se ela nunca tivesse sido importante. Costuma acumular sentimentos vários a respeito dos outros e da vida em geral. Um belo dia, explode como uma bomba atômica e nesse dia os problemas que esses sentimentos estavam causando, são eliminados para todo o sempre. Não gosta de pessoas invasivas porque ele mesmo é invasivo (detesta se olhar no espelho). Quase sempre é controlador e obsessivo, mas até um certo limite. Quando acha que está chegando perto ou ultrapassando os limites, se recolhe e trata de transformar aquela atitude numa outra, inteiramente oposta. Esses são os momentos de introspecção e isolamento. Há que se dar este tempo a Plutão. Passado o período de “ruminação”- que pode ser muito longo - renasce novinho em folha, como se nada tivesse acontecido. Tem dificuldade de lidar com qualquer rejeição porque se sente culpado. Em última análise, a culpa é uma questão de ego. Ouvi, um dia, de um plutoniano a seguinte frase: “não posso gostar de ninguém porque elas morrem”. Ao que fui obrigada a dizer de uma forma bem gentil: “meu amor, você não tem o poder de vida e morte sobre as pessoas”. Plutão está diretamente ligado ao sentimento de poder. Tudo que fugir ao controle dele, pode ser extremamente angustiante. Por isso, ele tenta, tenta de novo, espera, quase desespera para conseguir o que quer. Quando não consegue então ele supera. É o momento da transcendência, a única arma de superação possível. Mais uma vez a questão de morte e renascimento. Por essa e várias outras razões Plutão é considerado o planeta da morte. Mas ao longo da minha extensa prática, raramente vi uma referência à morte física e sim ao final de alguma situação de vida que vinha incomodando por longo tempo. É o momento da renuncia, do desapego. Ele para para pensar e chega à seguinte pergunta: o que estou disposto a renunciar para transformar minha vida em algo mais positivo? Frequentemente, quando chega a este questionamento é porque a mudança já se processou internamente e agora é preciso exteriorizá-la. E até que isto aconteça, ainda precisa de algum tempo para organizar os sentimentos e pensamentos. Plutão é lento, lento demais para o meu gosto. Não significa que seja burro. Muito ao contrário. É que precisa de tempo para processar o turbilhão de sentimentos contraditórios que fervilham dentro dele e que precisam ser organizados e transformados em ações racionais. Plutão nunca é superficial. Tudo com ele é intenso e profundo. Precisa chegar à causa primordial e por isso trava uma batalha sem trégua com ele mesmo. Costumo dizer que o pior inimigo de Plutão é ele mesmo. Dar este mergulho até as profundezas do próprio ser é assustador e doloroso. Ele acha que no âmago de si próprio vai encontrar um lodaçal do qual não sairá vivo. Mas quando toma coragem e mergulha – trata-se de um planeta de água, ainda que águas profundas – pode se deparar com uma belíssima corrente de água subterrânea, cristalina. É o outro lado radical de Plutão: o doador incondicional.
Estamos falando de Plutão porque rege o signo de Escorpião que começou no último dia 24 de outubro. Os leigos em astrologia têm o péssimo hábito de dizer que os Escorpiões são vingativos, ruins por natureza e incapazes de gestos generosos. Esquecem que existe, na simbologia deste signo, o Escorpião-Águia, aquele que transcendeu e voou em direção a uma camada superior de evolução humana; que já abandonou a casca do bichinho peçonhento que se esconde em locais escuros para se transformar em fênix. Existem muitos mitos a respeito deste signo e é disso que vamos falar na próxima vez. Por favor, lembrem-me da historinha do escorpião e do sapo na beira do riacho.

domingo, 4 de outubro de 2009

Seu mapa natal pode ser sua identidade celeste



Na antiguidade, era hábito os pais encomendarem aos "mestres" o mapa natal de seus filhos, assim que nasciam. O mapa, segundo a tradição, mostrava o caminho que aquela criança seguiria ao longo da vida. Mas sempre havia uma ressalva de que o mapa indicava mas não determinava. Creio que a astrologia cármica surgiu exatamente baseada neste princípio: nada era mais importante do que o livre-arbítrio do indivíduo. As estrelas apenas mostravam o caminho mais curto e mais acertado. Mas se no meio da caminhada a pessoa decidisse ir pelo caminho mais difícil, nada, nem mesmo as estrelas, impediriam esta decisão. Ou seja: o ser humano é livre para decidir toda e qualquer direção a ser tomada, independente das indicações mostradas pelo mapa. Desde então, comecei a pesquisar o velho binômio destino-livre arbítrio e cheguei a uma estranha constatação: evoluir é uma lei da natureza. Todos evoluem de uma forma ou de outra. Alguns mais lentamente outros mais rapidamente. Mas o processo não poderia ser revertido. A isso, chamei destino. Mas o livre-arbítrio seria a mola que movimenta esta evolução de mil maneiras individualizadas e normalmente obedecendo a um tempo igualmente estipulado pelo indivíduo, podendo, inclusive, começar numa encarnação e terminar em muitas encarnações posteriores.
Unindo conceitos místicos, acabei dando aula de Astrologia Cármica para aqueles que se interessavam por essa visão pouco ortodoxa e diferenciada da astrologia tradicional, mostrando que, na maioria dos casos o maior problema das pessoas estava exatamente nas áreas do mapa consideradas cármicas. Ou seja, aqueles pontos que ficaram mal resolvidos em vidas anteriores e que por essa razão eram enfatizadas na vida de hoje. Isso não levaria necessariamente ao conceito de castigo como a maioria imagina. Mas, sim ao de compensação. Essa área a ser compensada aparece marcada no mapa. Nisso se baseia meu estudo e quem se interessar pelo assunto, de verdade, será bemvindo.